Garok https://garok.com.br/ My WordPress Blog Mon, 01 Sep 2025 18:51:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 Hello world! https://garok.com.br/hello-world/ https://garok.com.br/hello-world/#comments Mon, 01 Sep 2025 18:51:04 +0000 https://garok.com.br/?p=1 Welcome to WordPress. This is your first post. Edit or delete it, then start writing!

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Marasmo Filosófico https://garok.com.br/marasmo/ https://garok.com.br/marasmo/#respond Sun, 10 Aug 2025 15:32:22 +0000 https://www.straubwriter.com.br/?p=564 Marasmo Filosófico “Sabe, Felfecir…” Esparramado na grama, do lado de fora de sua choupana, o velho ancião alisava sua longa barba branca enquanto olhava para além das nuvens que se moviam e mudavam de forma preguiçosamente. “Será que ele estava certo? Será que estamos sós nessa imensidão?” Aguardava por uma resposta que sabia que não […]

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Marasmo Filosófico

“Sabe, Felfecir…” Esparramado na grama, do lado de fora de sua choupana, o velho ancião alisava sua longa barba branca enquanto olhava para além das nuvens que se moviam e mudavam de forma preguiçosamente. “Será que ele estava certo? Será que estamos sós nessa imensidão?” Aguardava por uma resposta que sabia que não viria.

“Mas então eu penso.” Continuou. “O que é ser só? Ser só e sentir solidão seriam a mesma coisa? Ser solitário ou sentir-se solitário? Veja só aquela nuvem passando por aquele pedacinho de céu azul. Será que ela se sente só enquanto suas irmãs se agrupam aqui desse lado? E você, meu ilustre amigo, sente-se só sabendo que é o único de sua espécie? Mesmo estando aqui comigo?” O velho ameaçou levantar, mas apenas se sentou para continuar sua divagação.

“E aqueles pontinhos brancos no céu noturno… quando vejo eles daqui onde estou agora sempre me parecem tão juntinhos… será que eles sentem-se sós? E eu? Um velho tolo, sozinho em meio a essas montanhas, sinto-me só? Por vezes sinto-me mais solitário quando debato e argumento com meus pares… outros velhos tolos…” O velho ancião deu uma piscadela para Felfecir, mas não sem antes esboçar um sorriso escondido no meio de tanta barba.

“Porém,” o velho fixou seu olhar nos de seu ouvinte. “porém,” o velho agitava seu dedo indicador como se fosse falar algo importante. “eles não me completam? E eu a eles? Não evoluímos nossos pensamentos quando pensamos? E não seria essa a resposta? Não estamos todos conectados a algo? Todos nós não nos completamos ou complementamos? Não fazemos todos nós, partes únicas, parte de um todo maior? Então, como se sentir só se somos um só?” O velho tolo deitou-se novamente enquanto continuava a alongar sua longa barba branca.

(Velho Ancião)

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Uma Mesa Com Cinco Anciões https://garok.com.br/mesaanciao/ https://garok.com.br/mesaanciao/#respond Sun, 10 Aug 2025 15:27:50 +0000 https://www.straubwriter.com.br/?p=558 Uma Mesa Com Cinco Anciões   Eram cinco em volta de uma mesa disforme. Um velho e barbudo, um velho de careca lustrosa, um velho e gordo, um velho magrinho e um velho de barba e cabelos longos. A mesa parecia que havia sido qualquer coisa antes de virar uma mesa. Parecia que a haviam […]

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Uma Mesa Com Cinco Anciões

 

Eram cinco em volta de uma mesa disforme. Um velho e barbudo, um velho de careca lustrosa, um velho e gordo, um velho magrinho e um velho de barba e cabelos longos. A mesa parecia que havia sido qualquer coisa antes de virar uma mesa. Parecia que a haviam posicionado da maneira correta, jogado uma toalha por cima e “Voilà!” Como teria dito um deles em sua língua. Já os cinco, a única semelhança entre eles era o fato de serem velhos, cabeças duras e gostarem de uma bela e acalorada proza.

“Mas você não pode falar que somos apenas nós cinco os habitantes desse mundo.” O velho e gordo levantou-se da sua cadeira, coisa que jamais fazia, coisa que ele mesmo dizia.

“E por que não?” O velho magrinho elevou a si e seu tom de voz. “Você vê mais alguém por aqui?”

“Mas existem outros como nós! Já vimos antes.” O velho de careca lustrosa sacudia suas mãos involuntariamente.

“Faz tempo que não os vejo e esse mesmo tempo já deve tê-los levado.” O velho magrinho não se dava por vencido.

“Mas e fora do nosso mundo?” O velho de barba e cabelos longos estava pensativo, alheio àquela discussão.

“O que você pressupõe quando diz nosso mundo?” O velho e barbudo puxou sua cadeira e sentou-se de frente para dar início a uma nova discussão.

“Vocês não veem esses pontos brancos no céu noturno? Não seriam outros mundos brilhando?” O velho de barba e cabelos longos começava a explanar sua teoria. “Será que o nosso brilha assim também?”

Os outros anciões se entreolharam e riram.

“Se nosso mundo brilhasse não haveria noite!” O velho e gordo desmentiu a teoria sentando-se novamente.

“Não é isso.” O velho de barba e cabelos longos ainda tentou se explicar. “Quero dizer que deva haver vida em outros locais, em mundos como esse.”

“Pode ser que sim, mas também pode ser que não.” O velho magrinho se preparava para argumentar. “E se o universo for muito novo para ter tido tempo da vida nascer em outros lugares?”

“Ou muito velho e toda a vida já se fora…” Complementou o velho e barbudo para ganhar a aprovação do velho magrinho. “restando apenas nós cinco…” Continuou para também buscar a aprovação do velho e gordo.

“Vocês são velhos e tolos! Impossível conversar com vocês!” O velho de barba e cabelos longos se irritou.

“Eu vou falar o que é tolice.” O velho magrinho não desperdiçava uma chance. “Tolice é um velho que constrói um casebre velho, caindo aos pedaços e no meio de um lago.”

“Ei!” O velho de barba e cabelos longos indignou-se. “Dobre sua barba antes de falar do meu casebre, digo, da minha choupana!”

“E ainda obriga seus visitantes a virem espremidos num barquinho.” O velho e barbudo lembrou bem.

“Aquilo é um barquinho? Achei que fosse um pedaço de tronco oco e podre usado de barco…” O velho e gordo pôs-se a pensar.

“Eu vim nadando…” O velho de careca lustrosa, que havia se ausentado, finalmente chegou na mesa com mais chá.

“Oras carolas, mas que culpa tenho eu se marcamos aqui na nossa última prosa?” O velho de barba e cabelos longos se eximia da culpa.

“Em nosso encontro centenário?!” O velho e barbudo coçou a cabeça.

“No nosso último encontro eu ainda tinha cabelo…” O velho de careca lustrosa ainda tentava se colocar na conversa.

“Você era o velho de cabelos longos e crescentes, não?” O velho e gordo perguntou.

“Sim, era ele!” O velho magrinho respondeu na frente do velho de careca lustrosa. “Mas no nosso último encontro ele já não tinha mais cabelo, lembram-se? Até fizemos uma votação para mudar o nome dele.”

“Sim, é verdade!” O velho e gordo sorriu ao relembrar o fato.

“Eu preferia meu nome de antes…” O velho de careca lustrosa mostrou-se introspectivo.

“Ora, vejam só o que vocês, velhos tolos, fizeram. Vocês vem aqui na minha choupana, que construí com muito esforço e a mantive intacta. Vocês escracham ela e depois zombam do nosso ilustríssimo amigo que tem uma das carecas mais invejadas do nosso mundo.” O velho de barba e cabelos longos ia parar por aí, mas como ninguém ousou contra argumentar, continuou. “E ainda discordam da minha sábia teoria dos mundos e ainda por cima vem me falar que somos somente cinco nesse mundo?”

“Pera aí!” O velho e gordo levantou-se da cadeira novamente. “Somos só cinco mesmo!” Deu um murro na mesa com suas duas pesadas mãos. O chá que o velho de careca lustrosa havia trazido voou para cima caindo em barbas, carecas e cabelos desgrenhados.

“Olha só o que você fez, seu velho tolo desajeitado.” O velho magrinho tentou virar a mesa, mas só conseguiu realmente quando o velho e barbudo o ajudou.

“Vocês estão destruindo minha choupana.” O velho de barba e cabelos longos se desesperou.

A confusão foi geral. Teve quem recolheu o chá esparramado no chão dentro de uma xícara para jogar no companheiro. Teve quem se aproveitou da distração do outro para dar uma leve empurrada com o pé e vê-lo cair no lago. Teve quem entrou com os pés sujos na choupana e voltou correndo gritando. Teve quem deu um tapa numa careca lustrosa e disse que fazia tempo que queria fazer aquilo. Teve quem se colocou de pé em cima de sua cadeira e começou a dar lições de moral e bons costumes.

Assim, como o chá, aqueles velhos eram bons em esparramar suas palavras. E assim o fizeram até que uma melodia suave adentrou o ambiente.

O velho e gordo arrumou sua cadeira para sentar-se novamente, mas não sem antes ajudar o velho magrinho a reposicionar a mesa. “Que bela melodia…” ousou dizer alguma coisa.

“Não falei que faltava alguém…” O velho magrinho sorriu.

“O sexto chegou…”

A discussão cessou. Os cinco, sentados e bem comportados à mesa, bebericaram o pouco de chá que ainda havia restado e que o velho de careca lustrosa fez o favor de buscar, cachimbaram e apreciaram cada um sua própria solidão rodeada pela solidão dos outros velhos “tolos”.

(Velho Ancião)

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Amigos Para Sempre https://garok.com.br/amigossempre/ https://garok.com.br/amigossempre/#respond Sun, 10 Aug 2025 15:21:46 +0000 https://www.straubwriter.com.br/?p=551 Amigos Para Sempre “Agora te peguei!” Cantou vitória antes de realmente conseguir colocar o inseto saltitante dentro do pote. Frustrado, ainda tentou mais uma, duas, três, quatro vezes. Só não tentou mais pois não tinha mais braços. Por fim, Naj se contentou e sentou-se observando a pequena criaturinha saltitar por cima da superfície de um […]

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Amigos Para Sempre

“Agora te peguei!” Cantou vitória antes de realmente conseguir colocar o inseto saltitante dentro do pote.

Frustrado, ainda tentou mais uma, duas, três, quatro vezes. Só não tentou mais pois não tinha mais braços. Por fim, Naj se contentou e sentou-se observando a pequena criaturinha saltitar por cima da superfície de um lago de águas límpidas próximo da sua vila. “Como será que ela consegue fazer isso?” Imaginava-se afundando assim que colocasse seus pés no que, na verdade, era conhecido por Baía Silenciosa.

Com o pote vazio em suas mãos, Naj retornava para sua casa quando escutou alguns Grimmies de sua mesma idade cochichando.

“Veja! É ele!” Apontou o primeiro.

“Quem?” O segundo quis saber mais.

“O que gosta de aventuras!” Respondeu o terceiro.

“O que é aventuras (sic)?” O primeiro e o terceiro relevavam as perguntas do segundo por este ser menor.

“Quem gosta de sair por aí e não quer nada com nada.” Arriscou o primeiro com as palavras de sua própria mãe.

“Ah!” O segundo fez que entendeu.

“Vocês viram que os braços dele debaixo são mais curtos que os de cima?” Instigou o terceiro.

“Nem tinha notado, mas você tem razão!” O primeiro apertou seus olhos tendo medir os braços de Naj mentalmente.

“E os meus? São mais curtos?” O segundo esticou seus quatro braços o mais que podia e prendeu a respiração aguardando a resposta.

Naj parou e fulminou os três Grimmies que falavam dele. Porém, ao invés de sentirem-se envergonhados, os três se levantaram e começaram a fazer caretas e chacotas. À Naj não sobrou outra opção senão se virar e rumar para a vila vizinha. ‘Se não me querem aqui, pois bem, vou me embora para sempre’. Lamentava-se no alto de sua maturidade.

Entre a vila de Naj e a vila vizinha havia um enorme lago que se estreitava em uma parte. De um lado havia o Grande Lago e do outro a Baía Silenciosa. Nesse estreito havia uma passarela formada por madeiras e presa por cipós. Geralmente, antes de iniciar a travessia, olhava-se para ver se não tinha ninguém vindo. Se houvesse alguém, era de praxe aguardar antes de ir. Naj, cabisbaixo, só reparou que havia esquecido de olhar quando trombou com outro Grimmy.

“Olhe por onde anda!” Resmungou Naj.

“Já estava atravessando, você deveria ter esperado sua vez como todo mundo faz!” Ouviu o retruco.

“Eu conheço você!” Naj o encarou. Porém, o outro Grimmy nem se manifestou. “Você passa pela minha vila todo dia.” Confrontou-o.

“Não sabia que aquela vila era sua. Acabadinha ela, não?” Satisfez-se ao ver que Naj caíra em sua zombaria.

“Sabe de uma coisa?” Naj agora queria desmoralizar o outro. “Seus braços debaixo são mais curtos que os de cima!” Ergueu sua cabeça para tentar ficar mais alto que seu desafeto.

“Os meus?! Sabe que nunca tinha reparado…” O Grimmy se olhou de todas as maneiras para ver se aquela informação procedia e vendo que era mentira enfrentou-o com seus próprios argumentos. “E você? Não tem defeitos?”

Naj colocou seus braços para trás. Ele não esperava por essa. Ele esperava por algum xingamento, por um empurrão, por outras frases sem sentido a fim de inferiorizá-lo, mas ele não esperava por um questionamento que o deixasse sem palavras, que o fizesse olhar para si.

“Não tenho!” Afinal, ele não podia deixar de vencer aquela disputa verbal.

“Nem unzinho? Saiba que todos temos defeitos.”

“Eu tenho um sim!” Vociferou enfurecido. “Um único! Sou um aventureiro!” Disse achando que o outro Grimmy cairia espantado no chão, como se aquilo fosse um sinônimo de marginal ou desajustado. No entanto, apenas ouviu risos do outro lado. “Você duvida?” Enfureceu-se ainda mais. E dizendo isso, se colocou de pé no corrimão de proteção e se jogou passarela abaixo.

A passarela nem era tão alta, mas Naj gritou com uma intensidade que os Grimmies das duas vilas devem ter escutado.

“Ploffff Xuáaaa!” Naj escutou assim que voltou à superfície. Era o outro Grimmy que havia se jogado atrás dele.

“Uau! Você realmente é um aventureiro, me ensina?”

“Como vou te ensinar? Nem sei quem você é.”

“Meu nome é Sum e sou da outra vila.”

“O meu é Naj.” Apresentou-se esticando uma de suas mãos para apertar a de Sum enquanto as outras três o mantinham boiando. “Por que você passa todo dia pela minha vila?”

(*Por que será que as crianças tem que crescer e se esquecer de toda sua sabedoria?)

“Eu sempre vou até um lugar, mas não tenho coragem de entrar. E para chegar lá preciso atravessar sua vila. Quer vir comigo?”

“Eu?!” Naj olhou assustado.

“Sim! Você pode me ensinar a ser um aventureiro e podemos desbravar o lugar, o que você acha?”

“Não sei se é uma boa ideia…” Naj não sabia como dizer que ele não era tão aventureiro assim. Impulsivo com certeza.

“Vamos, vai ser divertido!”

Naj não conseguiu dizer não, ainda mais porque nunca havia tido outro que quisesse participar de uma aventura com ele.

Os dois então nadaram até a margem da vila de Naj, que queria evitar passar pelo mesmo local que havia sofrido chacotas mais cedo. Mas Sum não o deixou. “Por aí não, você está indo para o local errado, é por aqui. Venha, vamos logo antes que escureça!”

E ao passarem pelos Grimmies zombadores, escutaram. “Vejam, é o de braços curtos aventureiros junto com o sem casa que vaga por aí!”

Sum e Naj se olharam, riram e correram.

Um Grimmy de barbas brancas que assistiu a toda a cena também sorriu. ‘Um amigo para toda a vida, não é isso o que importa?’ Cachimbava olhando a fumaça tomar a forma de sua imaginação.

(Naj & Sum)

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Mergulho no Lago Escuro https://garok.com.br/mergulholagoescuro/ https://garok.com.br/mergulholagoescuro/#respond Sun, 10 Aug 2025 15:05:21 +0000 https://www.straubwriter.com.br/?p=540 Mergulho no Lago Escuro Num mundo envolto pela eterna escuridão, onde as únicas tonalidades percebidas eram as cinzas e negras, havia algo que se destacava no meio de tudo aquilo e não era por ser mais brilhante. Mas justamente por ser ainda mais negro que a própria ausência de luz. ‘Não queria…’ Garok caminhava lentamente, escondido, […]

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Mergulho no Lago Escuro

Num mundo envolto pela eterna escuridão, onde as únicas tonalidades percebidas eram as cinzas e negras, havia algo que se destacava no meio de tudo aquilo e não era por ser mais brilhante. Mas justamente por ser ainda mais negro que a própria ausência de luz.

‘Não queria…’ Garok caminhava lentamente, escondido, por umas árvores retorcidas em meio ao líquido viscoso que inundava aquele pântano. ‘Mas sei que ele está próximo… e cansado do jeito que estou, não conseguiria enfrentá-lo. Hoje me contentarei em escapar pelo Lago Escuro.’

Aquele que sempre se via como caçador, temia por sua vida. Ele sabia dos perigos que se escondiam para aqueles que se aventuravam naqueles lagos. Garok estava reticente. Porém, sem escolhas.

Num mundo silencioso, quem ousava perturbar o ambiente só poderia estar fora de sua sanidade mental. ‘… ou buscando a morte…’ Garok estremeceu ao ouví-lo. Até mesmo as árvores pareceram se contorcer ainda mais, prevendo o que estava por vir. ‘Ainda não…’ O sangue de Garok fervia. ‘mas logo… muito em breve…’ esboçou um sorriso pesado antes de imergir silenciosamente na escuridão do lago.

Vulnerável, Garok sabia que precisava nadar da forma mais imperceptível possível se quisesse chegar à outra margem. Braçada a braçada, perturbando o mínimo a superfície daquela matéria líquida. Ele deixava que a fraca correnteza fizesse o trabalho. Seu objetivo era o de permanecer da forma mais imóvel possível e se fazer parecer um tronco podre de uma daquelas árvores retorcidas. Se alguém o visse naquela situação, certamente falaria que suas energias já estivessem exauridas. Porém, não é bem assim. Nadar daquela forma exigia um esforço físico e mental descomunal. Garok sabia mais do que ninguém que se tentasse se apressar poderia acordar alguma criatura das profundezas e ele não queria isso.

‘Mais um pouco…’ Garok aproximava-se da margem, já aliviado, quando sentiu suas pernas serem envolvidas por algo que pareciam tentáculos e ser puxado violentamente para o fundo daquele lago sombrio. Não deu tempo nem de pegar fôlego, dar uma última respirada antes de submergir.

Por puro instinto, Garok cravou suas garras nos tentáculos que o envolviam e se virou. ‘Não consigo ver, escutar ou farejar aqui embaixo, mas se for para morrer que seja face a face.’

Imóvel, parecia já ter desistido. Seu corpo, arqueado para trás, deixava que a criatura continuasse a puxá-lo. Ele não dava sinal algum de resistência. Mas a velocidade com que era puxado foi diminuindo e Garok foi soltando suas garras dos tentáculos como se já estivesse sem ar. Se tivesse sorte, chegaria já afogado na boca da criatura, assim não precisaria sentir os dentes dela perfurando e atravessando seu corpo. Mas sorte é um fator que não pode se contar muito naquele mundo.

A velocidade com que se movia cessou por uma fração de um instante e Garok, mesmo sem conseguir ver nada, entendeu que se encontrava dentro da boca da criatura. Tão rápido e furioso foi o movimento da criatura em fechar a boca, também foi o movimento de Garok em se colocar ereto e segurar a mandíbula superior da criatura acima da sua cabeça e fazer força com seus pés para que a mandíbula inferior não fosse de encontro com a superior. Garok estava completamente no interior da boca da criatura e se pudesse ver talvez a tivesse comparado com uma caverna cheia de dentes, sendo alguns do seu próprio tamanho.

Ele segurou e usou muito mais força do que imaginava ter para manter a boca da criatura aberta. Por sua vez, percebendo que seu alimento havia entrado numa posição errada na sua boca, a criatura resolveu parar de pressionar para abrir suas mandíbulas e então fazer com que elas finalmente se encontrassem.

Esse fora o momento que Garok aguardava. Assim que a criatura afrouxou um pouco o aperto, ele se desvencilhou dos tentáculos e se impulsionou para fora da bocarra, que fechou estrondosamente.

Muitos teriam nadado o mais rápido que pudessem em direção a margem, torcendo para que quando a criatura percebesse que não havia nada além de água em sua boca, já estivessem bem longe de seu alcance. Mas Garok não era como muitos, ele havia planejado uma surpresa para aquela afronta. Ele se deixou flutuar para a extremidade superior da face da criatura e, com um único golpe, rasgar seu único e grande olho escuro.

Garok voltou à superfície tranquilamente, feliz, sabia que a criatura não o perseguiria mais. Não esta. Ele sabia que uma criatura ferida tinha poucas chances de sobrevivência.

Agora na margem oposta da qual entrara, Garok se voltou e apertou seus olhos para tentar fazer com que sua visão atravessasse o lago. O que ele não sabia é que mesmo se houvessem três sóis iluminando aquele mundo, mesmo assim ele não conseguiria enxergar a outra margem. ‘Está tudo muito silencioso…’ Ele sabia que o demônio estava lá… seu demônio.

(Garok)

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Dois Sobreviventes https://garok.com.br/dois-sobreviventes/ https://garok.com.br/dois-sobreviventes/#respond Sat, 09 Aug 2025 14:54:54 +0000 https://www.straubwriter.com.br/?p=529 Dois Sobreviventes Sua respiração estava mais ofegante que o normal. Seu pelos, Eriçados. Mantinha-se atento. Se não fosse por sua pelagem, já teria sentido o frio implacável daquele mundo esquecido até mesmo pela ardência da radiação de qualquer estrela que fosse. Já se passara alguns dias desde que Garok se escondera entre os espessos galhos […]

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Dois Sobreviventes

Sua respiração estava mais ofegante que o normal. Seu pelos, Eriçados. Mantinha-se atento. Se não fosse por sua pelagem, já teria sentido o frio implacável daquele mundo esquecido até mesmo pela ardência da radiação de qualquer estrela que fosse.

Já se passara alguns dias desde que Garok se escondera entre os espessos galhos de uma árvore sem folhagem. Porém, esse não era o problema. Assim como ele, as criaturas daquele mundo eram desprovidas de uma visão privilegiada. No Mundo das Trevas, esconder não significa apenas deixar de estar visível, mas mais importante, manter-se imóvel, não fazer ruídos e posicionar-se sempre contra o vento. Garok vinha desempenhando bem as duas primeiras definições, mas ficar contra o vento é relativo quando não se sabe por onde vem a criatura.

‘Quem ou o que será que vem vindo?’ Indagava-se mentalmente entre um momento e outro de desatenção. Seus olhos, cerrados, deixavam que suas orelhas pontudas se movimentassem livremente por todas as direções a fim de perceber o ataque. ‘Serei eu ou ela a atacar? Quem é a presa, afinal?’

De repente, suas orelhas apontaram para a mesma direção e seus olhos se abriram. ‘O que quer que seja, acabou de se denunciar. Ainda não faço ideia do que ou quem seja, mas já fico mais tranquilo por saber que não é ele. Aquele desgraçado. Se fosse, já estaria morto.’

Com um movimento suave e veloz, Garok alcançou o o galho mais alto da árvore e se pôs no alto de sua copa. ‘Daqui de cima será mais fácil atacar ou me defender.’ Esboçou um estranho sorriso, de alívio talvez. ‘Quando matá-lo não temerei a mais ninguém.’ Sempre tentava se convencer quando seu grande medo invadia seus pensamentos.

Subitamente, Garok se revelou num pulo e avançou sobre a criatura que o havia obrigado a se esconder. “Você?!” Garok riu, controlando suas garras para não dilacerá-la. A criatura era infinitamente inferior tanto na parte física quanto na agressividade. A única semelhança entre eles era o fato de estarem tentando sobreviver. Os dois haviam permanecido escondidos um do outro ao se perceberem e travaram uma guerra psicológica. Porém, a criatura cometera um grave erro ao sentir-se segura e sair de seu esconderijo antes que Garok o tivesse feito.

Segurando-a pelo pescoço, Garok a ergueu e a aproximou de sua face para fulminar sua vontade de viver com seus olhos. “Você não valeu todo meu esforço. Não saciará minha fome e muito menos meu ego. Mas posso usar você para caçar uma presa maior.” E dizendo isso, Garok sufocou a criatura a ponto dela não conseguir mais emitir um ruído sequer. Suas pequenas garras ainda insistiam e suplicavam para que ele a deixasse ir, mas seus olhos fechados, contorcidos de dor, já davam sinais de desistência. Garok apenas sorriu mais uma vez.

Num mundo de sobreviventes, não vence o mais forte, mas vive aquele que melhor utiliza seus instintos e se adapta ao seu meio.

(Garok)

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Monólogo https://garok.com.br/monologo/ https://garok.com.br/monologo/#respond Sat, 09 Aug 2025 14:35:08 +0000 https://www.straubwriter.com.br/?p=512 Monólogo “Interessante, muito interessante!” Um ser encapuzado tinha seus olhos fixos numa água turva represada. “Eles pensam que são evoluídos, mas quão atrasados são. Nem se dão conta disso. Se escondem uns dos outros. Tentam pelo menos. Aparentam ser de uma forma, mas tem outra por dentro.” Magro como seu cajado, ria alto, sem medo […]

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Monólogo

“Interessante, muito interessante!” Um ser encapuzado tinha seus olhos fixos numa água turva represada. “Eles pensam que são evoluídos, mas quão atrasados são. Nem se dão conta disso. Se escondem uns dos outros. Tentam pelo menos. Aparentam ser de uma forma, mas tem outra por dentro.” Magro como seu cajado, ria alto, sem medo que alguém pudesse ouvi-lo.

“Vocês podem tentar se esconder uns dos outros.” Apontou seu punho ossudo para a água turva. “Mas não podem se esconder do meu poço que tudo vê. Posso penetrar por seus olhos… ver suas almas… e encontrar o vazio. Sim! Vejo o vazio de suas vidas atarefadas insignificantes. Querem mostrar poder, mas não fazem a mínima ideia do que é o real poder. Querem ser melhor que os outros, mas não o são. Fracos fisicamente, mais fracos mentalmente. Magnífico! Diria que estão prontos. Ah sim, como estão prontos. E como se dividem… apesar de viverem em grupos. Os grupos se atacam e os desprezíveis também se atacam individualmente. Eles tentam se mostrar cordiais, mas são cruéis uns com os outros e com o lugar onde vivem. Como se existisse outro lugar para viverem suas vidas medíocres.”

De repente, parou. O ser ergueu o máximo que pôde suas costas curvadas. “Mas será que… será? Será que ela deu mais um passo?” Olhava para a ponta reluzente de seu cajado. “Ela teria me falado, não? Mas isso responde a muitas questões. Sim! Talvez seja isso. Talvez ela queira me mostrar que já estamos prontos. Que é o momento de retirarmos nosso capuz e nos mostrar.”

O ser encapuzado descobriu sua face e se olhou na água turva. Era tão enegrecida que mal conseguiu olhar seu próprio contorno. ‘Melhor assim.’ Teria dito se conseguisse se olhar através do reflexo dos seus olhos.

(Orskull)

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Insano Paulo https://garok.com.br/insano-paulo/ https://garok.com.br/insano-paulo/#respond Mon, 03 Jan 2022 12:57:54 +0000 http://www.straubwriter.com.br/?p=257 Insano Paulo Jair não sabia o que fazia ali, ou melhor, como o haviam convencido disso. Dias antes, após um surto mental daqueles que só quem vive numa megalópole como São Paulo sabe como é, mas nem sempre de onde vem, que ele resolveu seguir um conselho de um amigo de trabalho. “Jair, você está […]

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Insano Paulo

Jair não sabia o que fazia ali, ou melhor, como o haviam convencido disso. Dias antes, após um surto mental daqueles que só quem vive numa megalópole como São Paulo sabe como é, mas nem sempre de onde vem, que ele resolveu seguir um conselho de um amigo de trabalho. “Jair, você está precisando de ajuda profissional!” Dizia ele.

Já dentro do consultório, vendo que Jair agarrava suas calças com suas trêmulas e suadas mãos, o doutor aproveitou para criar um clima de suspense. “Sabe o que é Jair! Você tem uma variação de uma síndrome não muito rara nos dias de hoje… mas não disse que sua síndrome não é rara hein, veja bem?!” O doutor ajeitou os espessos óculos.

‘Mas o que é doutor? Vamos, fale logo!’ Jair disse em seu íntimo, já que a danada da ansiedade segurou sua língua para bater seus dentes.

“Você já ouviu falar na Síndrome do Pânico, não?”

Jair fez que sim com a cabeça.

“Pois bem,” O doutor prosseguiu. “você tem a Síndrome do Homem São.”

“Síndrome do Homem São?” Jair repetiu franzindo a testa. “Mas que diabos é isso?”

“Você é muito são para essa cidade?”

“São?! São é você!” Jair retrucou indignado meio sem saber como dizer.

“Muito bem Jair, vou tentar me explicar melhor. Todos os seres vivos, incluindo nós, é claro, tendem a se adaptar ao seu meio. Seja de um jeito, seja de outro. Logo, se você é são e vive numa cidade de loucos como São Paulo, quem tem problema aqui e precisa de tratamento não são os outros, mas sim você.”

Naquele instante o mundinho de Jair desabou, afinal, ninguém ainda havia formado sua opinião sobre o assunto para ele rebater aquela afronta a altura. Seus olhos estavam longe, vencidos. O doutor, ao contrário, apoiado com seus dois cotovelos sobre a mesa batia as pontas dos dedos.

“Mas e então, Doutor? O que eu faço? Isso tem cura?” Jair voltou do transe e olhou para seu salvador, dando-lhe uma prescrição médica e esboçando um leve e sádico sorriso.

“Vai mais devagar, por favor!” Jair implorava momentos depois na garupa de uma moto.

“Aí chefia, já não te falei pro senhor que tudo o que você tem que fazer é deixar essa tua boca escancarada e gritar o quanto quiser?! A magrela é minha, quem tá dirigindo ela sou eu e não to aqui pra ouvir ninguém dizer como tenho que fazer meu serviço! Tu nem meu chefe é?!” Dizia o motoboy costurando Deus, seu chefe e o mundo na Marginal Pinheiros em pleno rush de final de tarde.

“Você não sabe que morrem dois motoboys por dia em São Paulo?” Jair tentou um último apelo.

“Morrem dois e chegam mais mil!” O motoboy se divertia. “Além disso, não sou motoboy, sou mototaxista!”

A viagem foi curta para desespero de Jair, mas assim que avistou o Estádio Cícero Pompeu de Toledo ele deu graças aos céus, pois pensou seriamente que seu destino final fosse alguns metros antes, dentro de um hospital que tem o nome de um famoso físico. Jair só foi se recompor do susto numa barraquinha Mimi em frente ao estádio. “Água aqui não tem não doutor, mas te faço duas biritas pelo preço de uma! É tiro e queda!” Disse o barman de Paraisópoles colocando o pequeno copo em cima do balcão improvisado.

Jair aceitou a oferta e uma outra logo depois quando lhe ofereceram uma camisa do Corinthians. Ele nunca havia torcido por time algum, mas como o jogo era entre Corinthians e São Paulo acabou optando pelo primeiro. O jogo foi muito bom, diga-se de passagem, pena que Jair não viu, pois foi barrado na catraca depois de ter comprado o ingresso com um cambista duvidoso. Mas se ele não viu o jogo, tampouco viu o arrastão que fizeram na saída do estádio depois da pelada.

Talvez por isso não tenha se desanimado, pois naquela mesma semana Jair se matriculou numa academia de ginástica. Peito, pernas, braços, costas, abdominal. ‘Mas que chatice!’ Não cansava de se comparar a um rato de laboratório disputando força com cavalos. No entanto, até que aquilo fez bem a Jair, pois, resolveu aproveitar uma noite enluarada numa baladinha da Vila Madalena. Cortou a cidade e o trânsito inteiro por baixo e na falta de gosto musical, optou pela casa mais movimentada. ‘Cheia, barulhenta e mal cheirosa!’ Pensou assim que entrou, mas rapidamente mudou de idéia ao ver os belos pares de saia que iam e vinham. Dessa vez Jair nem pensou em pedir água e foi direto para a birita.

Com dor de cabeça e diante de um feriado prolongado devido ao aniversário da cidade, Jair resolveu fazer algo que não fazia há muito tempo, antes, porém, precisava pagar uma conta. Achou que seria rápido, mas a fila acenava o contrário já da porta do banco. ‘Caramba!’ Se angustiava. ‘Sol brilhando, a praia logo ali… e eu aqui!’. No entanto, ele não se intimidou, muito pelo contrário, seus olhos faiscaram. E apontando para o final da fila berrou para quem quisesse ouvi-lo.

“Aquele senhor ali está furando fila!”

Um alvoroço se formou dentro do banco e enquanto todos se cotovelavam para ver o infrator, Jair, de fininho, saiu de onde estava e foi andando de costas até o mais próximo que conseguiu chegar do balcão de atendimento. Quando todos, frustrados, começaram a se virar de frente para o balcão novamente, ele se infiltrou na fila como num passe de mágica. “Quanta barbaridade!” Ainda comentou com uma senhora às suas costas.

Jair saiu do banco se sentindo vivo, livre, mas logo o congestionamento na Avenida dos Bandeirantes, a lentidão no acesso para a Rodovia dos Imigrantes, a praça de pedágio de R$20,00 e a serra parada o fizeram mudar de idéia rapidamente. Logo aqueles pensamentos poluídos esvaíram-se de sua mente ao ver as belas luzes da cidade de Santos. ‘Como a cidade cresceu…’ deslumbrou-se.

Meses depois, Jair decidira que já era tempo de enfrentar o seu temor. A causa do efeito. Tocou duas vezes a campainha da casa de sua irmã. O barulho dos passos correndo pela sala o fez estremecer, mas ele segurou firme a barra.

“Tio!” Seus três sobrinhos endiabrados o aguardavam.

“Estão prontos?” Os três correram para dentro do carro.

E lá de cima de um brinquedo chamado Elevador, com uma cara tão apavorada quanto a dos seus sobrinhos, Jair se segurava com todas as suas forças para não cair antes do carrinho. Momentos antes, o monitor do brinquedo falou num tom vil.

“Peço a todos muita atenção e caso alguém desista no meio do caminho, levantem seus dois braços, cruzem os punhos na altura da testa e eu prometo descer vocês o mais rápido possível!”

Foi ali, naquele parque de diversões que fica na Rodovia dos Bandeirantes, onde todos os atendentes tem de forçar um sotaque engraçado para fingirem que são de outro país, que o tal do doutor, que há muito não o via, o viu pela última vez. E ao notar a expressão de angústia de Jair, lembrou de sua prescrição médica e riu consigo mesmo.

“Ah! A insanidade! Como seríamos felizes sem ela?”

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Esperança Recôndita https://garok.com.br/esperanca-recondita/ https://garok.com.br/esperanca-recondita/#respond Mon, 03 Jan 2022 12:56:07 +0000 http://www.straubwriter.com.br/?p=251 Esperança Recôndita Enfim a liberdade! Como ela gostava de estar livre por aí, sair de sua clausura e seguir para casa. A sua casa! Será que seus irmãos também estariam por lá? Bom, isso pouco importava para ela, se é que alguma vez importou. O que ela queria mesmo era percorrer por todas aquelas ruas […]

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Esperança Recôndita

Enfim a liberdade! Como ela gostava de estar livre por aí, sair de sua clausura e seguir para casa. A sua casa! Será que seus irmãos também estariam por lá? Bom, isso pouco importava para ela, se é que alguma vez importou. O que ela queria mesmo era percorrer por todas aquelas ruas atarefadas, se esticar um pouco e viver. Ela não se importava com as multidões, tampouco desejava se juntar a elas. Para ela, ser uma mera expectadora já bastava. Afinal, ela também era uma cidadã e merecia ser tratada com dignidade.

Por se sentir como parte daquele todo, resolvera deixar seus instintos aflorarem no verde que cobria o topo dos arranha-céus. Estes, que se antes pareciam engolir as cidades, hoje se harmonizavam com as demais obras divinas, como se tivessem sido desenhadas pelo próprio Criador. Era verdade que os telhados de outrora contribuíam para o aquecimento do mundo, no entanto, o mesmo não ocorria naquela cidade, pois os telhados gramados ajudavam a suavizar o calor e melhorar o frescor dos finais de tarde.

Depois de rabiscar com os pés a terra que produzia nutrientes para a grama se desenvolver, ela retomou seu percurso, mas não sem antes se admirar num daqueles vidros que cobriam os edifícios. Ao ver sua face refletida, mal teve tempo de recordar que há pouco estava do outro lado, observando o contraste da monotonia hipnótica das poucas nuvens que cobriam o céu com o andar trombado dos transeuntes, sempre aflitos, sempre com pressa. Mal se recordou que alguém entrou em seu recinto e lhe entregando um bilhete a pôs para fora, para a liberdade. Muito agradecida ela ficou, mas pouco demonstrou.

Algo em que ela nunca havia reparado fora na utilidade daqueles arranha-céus envidraçados. Os vidros não serviam somente para a estética, para embelezar a arquitetura moderna, os vidros também tinham outra utilidade, eles captavam a pouca luz solar que adentrava pela atmosfera terrestre e a transformava em energia. Como se os edifícios também tivessem vida e aquele fosse seu alimento.

Pouco abaixo, passando pelas ruas incrivelmente limpas, ela se deteve num daqueles locais onde informações são vendidas e a comida é farta. Juntou-se a dois homens distintos, que discutiam em meio a imagens holográficas coisas que não entendia. “Antigamente se usava um substrato das árvores para fabricar um material chamado papel. Nele, eles imprimiam tinta, juntavam algumas folhas e propagavam as últimas notícias do mundo.” Dizia um deles ao outro, boquiaberto, que tentava imaginar a equação insolúvel de quantidade de lixo produzido e matéria prima exaurida.

Realmente, lixo era uma coisa que não se via naquela cidade. O que era descartado não virava lixo, virava resíduo e esse resíduo era separado do jeito que seus avôs haviam ensinado a seus pais. Todo ele era levado para locais específicos nas calçadas, onde dutos muito bem sinalizados percorriam todo o subterrâneo da cidade até chegarem a uma central recicladora. O cidadão tinha apenas que abrir o duto correspondente ao resíduo, jogar o que seria descartado gargalo adentro e deixar que o ciclo se fechasse.

Um pouco cansada e vendo que o dia ameaçava uma despedida, resolveu se apressar passando rápida e invisível por todo o caminho que cortava a cidade para chegar ao local que os abastecia. Plantações de sumir de vista formavam um anel verde ao redor da cidade. E de cima de uma das poucas árvores que não os agraciavam com frutos, ela olhou para o espetacular perfeccionismo das máquinas, que mantinham incansavelmente tudo aquilo vivo. Nenhuma pessoa colocava as mãos nas plantações, tudo era feito por robôs bem programados. A irrigação vinha por baixo. Enormes receptáculos de água permaneciam abaixo de toda a cidade. Eles eram abastecidos pela água da chuva, que precisava ser tratada por ser considerada ácida demais, e por poços muito profundos, que transpassavam as rochas sãs que a poluição de outros tempos não conseguiu se infiltrar. Não havia rios atravessando a cidade, mas pontos de água foram equilibradamente colocados. A água sempre fora o elemental mais importante para a vida e por isso a necessidade de sempre tê-la por perto.

Aquele local era tão bom e tão relaxante, que ela resolveu se recostar e passar uma última noite agradável ao relento. Já no dia seguinte, após se fartar de frutos pela manhã, chegou ao seu destino. Quem será que a receberia? Nem ao menos essa pergunta ela se fez durante todo o percurso. No entanto, com lágrimas nos olhos, um homem a pegou delicadamente em suas mãos e a abraçou. Ela não retribuiu o abraço, mas pode sentir todo o seu afeto. Ela se calou e cerrou os olhos por uns instantes para apreciar melhor aquele momento. Como era bom estar em casa de novo. Só então o homem pegou o bilhete, leu-o e, após uns instantes, beijou sua face. Com todo o cuidado do mundo ele a pôs num recipiente a vácuo e lançou-a na atmosfera.

Voando para bem longe da redoma de vidro que recobria toda a cidade e que a protegia dos raios nocivos do Sol. Fazendo o papel de uma das camadas atmosféricas que fora destruída há muito. Ela batia suas asas, sentindo-se totalmente liberta, avistando, sem entender, todos aqueles inúmeros cata-ventos e painéis solares que se somavam ao abastecimento de energia de toda aquela cidade. Outro homem, que a tudo observava, quebrou o silêncio.

“Você sabia que há mil anos os pombos eram considerados sujos?”

Ao que o outro, vendo-a partir e a esperança retornar, sorriu.

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Lá Vem Ela https://garok.com.br/la-vem-ela/ https://garok.com.br/la-vem-ela/#respond Mon, 03 Jan 2022 12:52:56 +0000 http://www.straubwriter.com.br/?p=245 Lá Vem Ela E lá vem ela. Estrondosa, furiosa, rasgando o céu impiedosa. Acovardando, por vezes, até mesmo o mais valente. Cuspindo, arrotando, urrando, avançando sem dar trégua, deixando destruições em pequenos e grandes rastros. Pela frente, não há obstáculos. Sejam vias congestionadas, campos verdes, florestas e até megalópoles. Nada pode pará-la. Nem mesmo o […]

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Lá Vem Ela

E lá vem ela. Estrondosa, furiosa, rasgando o céu impiedosa. Acovardando, por vezes, até mesmo o mais valente. Cuspindo, arrotando, urrando, avançando sem dar trégua, deixando destruições em pequenos e grandes rastros. Pela frente, não há obstáculos. Sejam vias congestionadas, campos verdes, florestas e até megalópoles. Nada pode pará-la. Nem mesmo o vento é capaz! Que toda vez se submete a ela, provando que é mais fácil se juntar quando não se pode vencer.

E lá vem ela. Negra, grotesca, colossal, torrencial. Chutando casas, levantando telhados, derrubando árvores, vindo em enxurradas, varrendo tudo o que encontra pela frente. Quando ela se arma, parece que o resto do mundo inteiro para. Esperando, aguardando, ansiosamente, temerosamente, timidamente, pavorosamente, seu encontro inevitável. Fatídico! Seja em alto mar ou terra firme, sejam navios imensos ou montanhas milenares, não há ser vivo ou inanimado que não a respeite, que a tema.

… e lá foi ela. Intocável, magnânima, grandiosa, seguida pela bonança. Deixando para trás ruas mais limpas, matas mais verdes, rios mais cheios e mares mais calmos. Devolvendo toda a água que fora tirada da superfície. Lavando o mundo e as nossas almas.

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